
Venham mais cinco, Discos Orfeu (STAT 017), 1973
Lado A
01 Rio largo de profundis
02 Era um redondo vocábulo
03 Nefretite não tinha papeira
04 Adeus ó serra da Lapa
05 Venham mais cinco
Lado B
01 A formiga no carreiro
02 Que amor não me engana
03 Paz, poeta e pombas (com José Mário Branco)
04 Se voaras mais ao perto
05 Gastão era perfeito
Na ilha
Porque a Nefretite não tinha papeira nem o Tuthankamon apetite.
Porque o Gastão era perfeito.
Porque a formiga no carreiro vinha em sentido contrário…
Os segundos sentidos são os daquele tempo:
“a Paz saltou dos olhos do poeta atacada de psicose maníaco-depressiva (foi então que as pombas solicitaram nas agências as tarifas pois não viram mais o poeta que gozava, na Suiça, duma licença graciosa)”.
Gravado em 1973, em Paris, com arranjos e direcção musical de José Mário Branco este é o último disco de José Afonso gravado antes do 25 de Abril.
Este é um disco que jamais me poderia faltar.
“Redondo vocábulo”, poderá ser, num dado momento, a canção mais bonita que há.
A canção
Redondo vocábulo
A letra
Era redondo o vocábulo
Numa soma agreste
Revelavam-se ondas
Em maninhos dedos
Polpas seus cabelos
Resíduos de lar
Nos degraus de Laura
A tinta caía
No móvel vazio
Convocando farpas
Chamando o telefone
Matando baratas
A fúria crescia
Clamando vingança
Nos degraus de Laura
No quarto das danças
Na rua os meninos
Brincavam e Laura
Na sala de espera
Inda o ar educa
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